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Morre Mestre Niemeyer - Tudo sobre







Perdi quem mais gostava no mundo, 





perdi tudo, diz viúva de Niemeyer



Arquiteto morreu nesta quarta-feira aos 104 anos; velório será no Planalto.
Enterro está marcado para sexta (7), no Cemitério São João Batista, no RJ.

Janaína Carvalho e Cristiane CardosoDo G1 Rio
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Vera Lúcia, mulher de Niemeyer, é abraçada na chegada ao hospital; abaixo, a neta Ana Lucia fala sobre o avô (Foto: Luiz Roberto Lima/Futura Press/Estadão Conteúdo e Janaína Carvalho/G1)Vera Lúcia, mulher de Niemeyer, é abraçada antes
da cerimônia; abaixo, a neta Ana Lucia, fala sobre a
morte do arquiteto (Foto: Luiz Roberto Lima/Futura
Press/Estadão Conteúdo e Janaína Carvalho/G1)
"Nesse momento é muito difícil, eu posso dizer que perdi a pessoa que eu mais gostava no mundo, um amigo. Perdi tudo", disse emocionada a viúva de Oscar Niemeyer, Vera Lúcia, na manhã desta quinta-feira (6),durante missa em homenagem ao arquiteto no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Niemeyer morreu na noite desta quarta (5), aos 104 anos.
Vera contou ainda que, quando estava lúcido, o arquiteto dizia que tinha que ir embora do hospital, porque estava com os trabalhos atrasados.
"O tempo passa a gente. Mas no momento, estou muito fragilizada. Há um mês que eu estou no hospital com ele, vendo as melhoras e as pioras. Ele estava lúcido. Ele virou pra mim e disse que queria comer pastel e tomar café. De dia ele dizia pra mim 'eu tenho que ir embora, os meus trabalhos estão atrasados'. Ele sempre tinha uma palavra boa, falava para os enfermeiros que tinha fazer nosso samba, coisas assim do Oscar", relatou a viúva, que pretende continuar alguns projetos do marido.
"Ele lia comigo a revista, mandava chamar o diagramador para ver como estava, falava de trabalho e também de alguns projetos. O  único desejo dele, que eu vou fazer, é editar o livro que eu havia falado com ele que íamos fazer juntos e a revista. Foi a única coisa que eu prometi a ele que faria. Esse livro é de alguns projetos de arte e centro cultural que ele fez", completou.
Ela declarou ainda que gostaria que Niemeyer fosse lembrado como "uma pessoa digna, honesta e amiga".
A missa que durou cerca de 20 minutos, foi realizada no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, pelo padre Omar Raposo. "Foi curta, mas muito emocionante", disse a neta do arquiteto, Ana Lúcia Niemeyer.
Ana Lucia afirmou ainda que o corpo será levado para o Aeroporto Santos Dumont, no Centro, para embarcar em um voo fretado rumo a Brasília, onde será velado no Palácio do Planalto. A previsão é que o avião decole às 13h e chegue na base aérea da capital federal às 14h20. De lá, o corpo segue em carro aberto do Corpo de Bombeiros até o Palácio do Planalto, onde será velado, das 16h às 20h.
Por volta das 21h, o corpo volta para o Rio, para velório no Palácio da Cidade, que só será aberto ao público a partir das 8h de sexta (7). Às 16h, ainda segundo a neta do arquiteto, haverá um ato ecumênico no mesmo local. O enterro será em seguida, no São João Batista.

Enterro no Rio

O arquiteto, que completaria 105 anos no próximo dia 15, morreu às 21h55 desta quarta, em decorrência de infecção respiratória. Ele estava internado no Samaritano havia pouco mais de um mês. Após a morte, o corpo foi levado para ser embalsamado na Santa Casa de Misericórdia de Inhaúma, no subúrbio, de onde saiu por volta de 7h desta quinta, de volta ao hospital.
Ainda nesta quinta, segundo o prefeito Eduardo Paes, o corpo retorna ao Rio, à noite, onde ficará no Palácio da Cidade. O enterro está marcado para sexta-feira (7), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio. A família ainda não divulgou o horário da cerimônia.
Horas após a confirmação da morte de Niemeyer, o prefeito foi ao hospital para cumprimentar os parentes do arquiteto. Paes disse que o último encontro com Niemeyer aconteceu há três meses.
“Perdemos um grande brasileiro. Ele acreditou até o fim nos seus ideais. Jantei com ele há três meses e ele só falava de futuro”, disse.
Linha do tempo arquiteto Oscar  Niemeyer  (Foto: Editoria de Arte/TV Globo)
Luto oficial
Paes decretou luto oficial de três dias, no Rio de Janeiro, após a morte de Oscar Niemeyer. Em nota enviada, na noite de quarta-feira, ele lembrou as principais obras do aquiteto na cidade.
"Um dos maiores gênios que o Brasil deu ao mundo, Oscar Niemeyer foi mais do que um arquiteto brilhante e inovador que desafiou a lógica e contorceu as formas para criar verdadeiras obras de arte. Ele construiu marcos e deixou a sua marca na paisagem e na história de nosso país. Carioca, ele tinha com o Rio de Janeiro uma relação especial - Niemeyer deu à Cidade Maravilhosa o templo da folia, onde a maior de todas as festas acontece", diz a nota.
"Como prefeito do Rio, apaixonado por Carnaval e admirador do trabalho de Niemeyer, sinto-me honrado por a cidade ter concluído o projeto original do Sambódromo e, com isso, ter podido realizar o que o próprio mestre chamou de um sonho antigo. O Brasil e o mundo perderam hoje um homem que dedicou toda a sua vida a produzir beleza. Mas o que ele criou ficará entre nós como a lembrança de um grande carioca que fez a diferença", concluiu o prefeito em seu comunicado.
Novos projetos
O médico Fernando Gjorup disse, na noite de quarta-feira, que Oscar Niemeyer conversou com a equipe médica sobre a vontade de realizar novos projetos, mesmo aos 104 anos.
Segundo Gjorup, o arquiteto só perdeu a consciência, pela manhã, após ser sedado. O médico, que cuidou dele por 15 anos, revela que Niemeyer pouco falava sobre a saúde.
“Antes dessa internação, ele chegou a conversar com a equipe sobre novos projetos. Ele não gostava de falar sobre a saúde dele, mas sabia que já tinha passado da metade da vida. Ele nunca falou sobre morte, só falava em viver. A equipe médica tinha esperança, mas havia a fragilidade de um senhor de 104 anos”, disse Gjorup, que cuidou do arquiteto nos últimos 15 anos.
Segundo a equipe médica, o arquiteto apresentou piora progressiva nos últimos dois dias. Cerca de 10 parentes estavam na Unidade Coronariana do hospital, quando Niemeyer morreu.
O arquiteto era submetido a hemodiálise e seu estado imunológico já era deficiente.
Histórico de internações
O arquiteto foi internado várias vezes ao longo dos últimos anos. A última foi em 2 de novembro, quando voltou ao Samaritano, seis dias depois de ter recebido alta. Desta vez, Niemeyer foi submetido a tratamento de hemodiálise e fisioterapia respiratória.
No dia 13 de outubro, o arquiteto deu entrada no Hospital Samaritano após sentir-se mal, apresentando um quadro de desidratação. Ele ficou internado por duas semanas.
Em maio, Niemeyer também esteve internado no mesmo hospital, quando deu entrada com desidratação e pneumonia. Depois de 16 dias, com passagem pela UTI, recebeu alta.
Em abril de 2011, o arquiteto ficou internado por 12 dias por causa de uma infecção urinária. Também já foi submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino.
Em 2010, Niemeyer também foi internado em abril, devido a uma infecção urinária.
Em 2009, o arquiteto ficou internado por 24 dias no Samaritano, entre setembro e outubro, após dores abdominais. Ele chegou a passar por uma cirurgia para retirar um tumor no intestino grosso, uma semana depois de ter sido operado para a retirada de um cálculo na vesícula.
Em junho do mesmo ano, o arquiteto foi internado no hospital Cardiotrauma de Ipanema, também na Zona Sul, queixando-se de dores lombares. Ele passou por uma bateria de exames e recebeu alta médica algumas horas depois. Na ocasião, exames de sangue e uma tomografia indicaram que Niemeyer estava apenas com uma lombalgia.
Em 2006, o arquiteto chegou a ficar 11 dias internado, após sofrer uma queda e passar por uma cirurgia.
Filha do arquiteto morreu em junho
A designer Anna Maria Niemeyer, única filha de Oscar Niemeyer, morreu aos 82 anos, em consequência de um enfisema pulmonar, em 6 de junho.
Segundo o administrador Carlos Oscar Niemeyer, filho de Anna, o avô esteve pela última vez com sua mãe, três dias antes, durante uma visita ao Hospital Samaritano, onde Anna Maria ficou mais de 40 dias internada.
Ainda de acordo com Carlos Oscar, durante o tratamento, Anna chegou a receber alta, mas voltou a ser internada no dia 1º de junho. Ela teve cinco filhos,13 netos e quatro bisnetos.
Carlos Oscar contou que sua mãe e o avô eram muito próximos e costumavam se falar todos os dias. Ele disse que Niemeyer ficou muito abalado ao receber a notícia da morte da única filha.
"O pai receber a notícia da morte de um filho é uma coisa extremamente difícil, imagina para um pai de 104 anos, a situação é ainda mais complicada", comentou Carlos, durante o sepultamento de Anna Maria Niemeyer.
Oscar Niemeyer manifestou vontade de ir ao enterro da filha no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Mas, de acordo com os parentes, ele não compareceu após os médicos avaliarem que as condições de saúde do arquiteto não eram favoráveis.
Visita à Passarela do Samba
Em fevereiro, Niemeyer fez uma visita ao Sambódromo, durante a fase final das obras de reforma da Passarela do Samba que mantiveram o traçado original que o arquiteto projetou há 30 anos. Ele enfrentou o sol forte de meio-dia e percorreu num carrinho aberto toda a extensão da Avenida.
"Está muito bom. Melhorou muito. Este não é um trabalho só meu, é o trabalho de um grupo. Estou entusiasmado", disse Niemeyer, na ocasião.
O projeto de Niemeyer previa um equilíbrio entre os dois lados da Sapucaí, como se fosse um espelho. Com a obra, a Sapucaí passou a ter 12.500 lugares a mais, podendo acomodar 72.500 pessoas.
Trabalho em ateliê para festejar 104 anos
Autor de mais de 600 projetos arquitetônicos, Niemeyer decidiu festejar os seus 104 anos do jeito que mais gostava: trabalhando em seu ateliê de janelas amplas diante da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Em agosto de 2011, ele lançou o livro "As igrejas de Oscar Niemeyer" (Editora Nosso Caminho), na galeria de um shopping da Zona Sul do Rio.
Embora ateu convicto, o arquiteto selecionou fotos e desenhos das 16 obras religiosas, entre capelas e igrejas, que realizou ao longo de sua carreira.
"As pessoas se espantam pelo fato de, mesmo sendo comunista, me interessar pelas igrejas. E a coisa é tão natural. Eu morava com meus avós, que eram religiosos. Tinha até missa na minha casa. E eu fui criado num clima assim. Esse passado junto da família me deixou com a ideia de que os católicos são bons, que querem melhorar a vida e fazer um mundo melhor", explicou Niemeyer, na ocasião.
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Brasília - Tudo sobre a Capital Federal BR

Extraído do skyscrapercity




"Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".
Juscelino Kubistchek


Onde os eixos se cruzam

O Começo do Sonho

Desde a época do Brasil Colônia já se pensava em construir uma nova capital. O Brasil tinha um imenso território e além das escaramuças de piratas e contrabando de pau-brasil, muitas nações européias foram tornando constantes os seus ataques à costa brasileira, desafiando a Coroa Portuguesa.

De nada valeram os esforços de D. João III em tentar criar um sistema de policiamento da costa do Brasil. Os ataques estrangeiros foram ficando cada vez mais freqüentes e revelavam a intenção de algumas nações em ocupar partes do território brasileiro. Basta lembrar que Salvador, a primeira capital do Brasil, sofreu diversos ataques de piratas ingleses e foi tomada pelos holandeses liderados pelo almirante Willenkens.

Os invasores só foram expulsos da capital brasileira um ano depois. Aos poucos, alguns brasileiros começaram a perceber que o Brasil estava de costas para o Brasil. Era um povo agrupado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o continente europeu. Surgiriam então as primeiras vozes a defender a interiorização do país. Longe do litoral e dos ataques de canhões das naus inimigas, uma nova capital no interior do Brasil teria muito mais segurança.

Essa idéia foi defendida pelo Marquês de Pombal, em 1761. A Inconfidência Mineira, em 1789, já demonstrava a insatisfação dos brasileiros com a Coroa portuguesa e um anseio latente por um processo de interiorização do Brasil. Entre os planos dos inconfidentes estava a transferência da capital do Rio de Janeiro para São João Del Rei. Em 1808, o jornalista Hipólito José da Costa defendia a independência política do Brasil e fundou, no exílio em Londres, o jornal "Correio Braziliense".

Hipólito José da Costa pregava a mudança da capital para o interior do país, que ele chamava de "paraíso terreal".

A Independência do Brasil, em 1822, trouxe mais ânimo para os defensores da interiorização. Na Assembléia Constituinte de 1823, José Bonifácio defendeu a construção de uma nova capital que, segundo ele, seria uma grande chance de estimular a economia e o comércio. Essa foi a tese que José Bonifácio apresentou no documento que se intitulou "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital".

José Bonifácio chegou a sugerir dois nomes para a nova cidade, que ele imaginou no Planalto Central: Petrópolis e Brasília. O diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagem, Visconde de Porto Seguro, também foi outro importante defensor da mudança da capital. Ele chegou a realizar estudos e também concluiu que a região do Planalto Central seria o local ideal para a nova capital.

A Assembléia Constituinte de 1891 aprovou a emenda do deputado Lauro Müller, que propunha a mudança da capital para o interior do país. Coube então ao novo governo republicano organizar uma missão de reconhecimento e demarcação da área do futuro Distrito Federal. O diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, Luís Cruls, foi encarregado de chefiar a missão.


Pedra fundamental da nova capital do Brasil, em Planaltina, no estado de Goiás

Primeiras Concretizações

Em 9 de Junho de 1892, os vinte e dois membros da missão Cruls partiram de trem, com destino a Uberaba, Minas Gerais. Eles levavam quase dez toneladas de equipamentos, como lunetas, teodolitos, sextantes, barômetros e material fotográfico para demarcar a área da futura capital no Planalto Central. A partir de Uberaba, a expedição seguiu em cavalos e mulas, passando por Catalão, Pirenopólis e Formosa. A missão formada por biólogos, botânicos, astrônomos, geólogos, médicos e militares percorreu mais de quatro mil quilômetros.

Foram sete meses de muitas caminhadas e trilhas percorridas a pé ou em mulas, descobrindo a imensidão do Planalto Central do país. Através dos relatórios da Missão Cruls, o Brasil pôde, pela primeira vez, conhecer em detalhes o clima, o solo, os recursos hídricos, minerais, a topografia, a fauna e a flora do Planalto Central. Cruls destacou a qualidade do solo pesquisado, suas possibilidades para a agricultura e fruticultura e também o clima da região. "É inegável que até hoje o desenvolvimento do Brasil tem-se sobretudo localizado na estreita zona de seu extenso litoral, salvo, porém, em alguns dos seus Estados do sul, e que uma área imensa de seu território pouco ou nada tem se beneficiado com este desenvolvimento. Existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."

Era Juscelino


Juscelino Kubitscheck chegando ao Planalto Central

No dia 2 de outubro de 1956, pousou numa pista improvisada no Planalto Central um avião da FAB trazendo o Presidente Juscelino Kubitscheck. Na comitiva presidencial estavam o Ministro da Guerra, General Lott, o Governador da Bahia, Antonio Balbino, o Ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, o arquiteto Oscar Niemeyer, a diretoria da Novacap e ajudantes do presidente. Eles foram recepcionados pelo Governador de Goiás, Juca Ludovico e por Bernardo Sayão. O avião aterrisou às 11:45h, numa manhã de outubro.

Olhando as fotografias daquele ensolarado dia, dá para imaginar o desafio que se apresentava aos olhos do Presidente: o vasto e imenso horizonte de um cerrado virgem, longe de tudo e de todos, sem estradas, sem energia ou sistemas de comunicação.

Juscelino, em seu livro "Por que construí Brasília", conta que "de todos os presentes, o General Lott era o que se mostrava mais desconcertado. Distanciado-se dos presentes, deixou-se ficar à beira da pista. O presidente lembra em sua obra: " Ao me aproximar dele, não se conteve e perguntou: O senhor vai mesmo construir Brasília, Presidente ?"

Juscelino escreveu no livro de ouro de Brasília: "Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".

A primeira visita do Presidente Juscelino Kubitschek ao sítio castanho, escolhido para sediar a futura Capital, não foi apenas simbólica. Na ocasião, foram determinados o local para construção do aeroporto de Brasília, restauração e melhoria das estradas para Goiânia e Anápolis, construção das estradas entre os canteiros de obras, dos prédios provisórios para os operários e a elaboração do projeto do Palácio da Alvorada.

Mas antes da conclusão do projeto do Alvorada, um grupo de amigos de Juscelino resolveu presentear o Presidente com uma residência provisória no Planalto.


"Catetinho", primeiro prédio de Brasília

Houve quem acreditasse em Brasília e, tão logo a notícia se espalhou, surgiria na poeira do cerrado um herói anônimo: o candango. A expressão candango, que no ínicio teve um tom pejorativo, aos poucos, passou a ser a marca dos pioneiros que se engajaram na aventura de construir Brasília.

A nova capital abria a chance de uma vida melhor. Os candangos foram chegando e erguendo barracos e casas de madeira na cidade provisória. Em dezembro de 1956 eram apenas mil habitantes; em maio de 1958 já havia mais de trinta e cinco mil.

O movimento era frenético, jipes e tratores cortando o cerrado. Um trabalho duro, sem domingo nem feriado. Israel Pinheiro organizou suas equipes de trabalho com uma disciplina de guerra. Dia e noite, sol ou chuva, Brasília não parava.

No dia 19 de setembro de 1956, foi lançado o edital para o concurso do plano piloto, que estabelecia o prêmio de um milhão de cruzeiros para o autor do projeto vencedor.
A nova capital nascia sob o signo de uma grande aventura e havia a expectativa de se encontrar um projeto que imprimisse a contemporaneidade e a ousadia esperada de Brasília.

As cidades satélites 

As cidades satélites não surgiram como fruto de um plano detalhado, conforme o que regia a construção do Plano Piloto, mas pela urgência imposta pelas invasões. Em junho de 1958, nascia a primeira cidade satélite, propriamente dita: Taguatinga, construída às pressas para abrigar 50.000 pessoas, em sua maioria operários com suas famílias. 
As Satélites, aos poucos, se transformariam em importantes centros econômicos. Depois de Taguatinga, Israel Pinheiro iniciou a construção de outras Satélites: Sobradinho, Paranoá e Gama. 
Durante três anos, Brasília viveu um ritmo de trabalho alucinante. O Presidente Juscelino Kubitscheck vistoriava as obras pessoalmente com Israel Pinheiro.
Os partidos de oposição alegavam que Brasília não ficaria pronta no prazo e insistiam para que adiassem a transferência da Capital.


O Projeto vencedor

1º lugar - Projeto nº 22, de Lucio Costa








A Construção



Marco Zero no ano de 1957. Em primeiro plano , o local da Plataforma Rodoviária. Em segundo plano, o local onde surgirão os Ministérios e o Congresso










O Congresso Nacional. À direita, o Supremo Tribunal Federal


O Congresso e a Esplanada dos Ministérios.








Vista aérea da Esplanada dos Ministérios. Ao fundo, a Plataforma Rodoviária e o edifício do Hospital de Base






A Esplanada dos Ministérios. Em primeiro plano, parte do Senado


A Catedral, os Ministérios e o Congresso.










A SQS 108 em construção. Em primeiro plano, a Igrejinha. Ao fundo, blocos da SQS 208.


As primeiras superquadras da Asa Sul. Em primeiro plano, à direita, a SQS 105.


As SQS 106, 107, 108 e 308 (esta última, ainda em construção). A quadra distante, ao fundo e à esquerda, é a SQS 114.


Asa Sul. Em 1 plano, à direita, as quadras 508 e 308 Sul. A quadra pronta, somente com casas em 2 plano, à esquerda é a 707 Sul.


Edifícios populares (chamados de edifícios JK), nas SQS 413 (blocos no centro da foto) e 412.


Quadras 400 sul, Obs a avenida L-2 Sul era então somente uma rua estreita.


Vista aérea da SQS 108 , já pronta, Ao fundo, a SQS 308 em construção.
















av. central do núcleo bandeirante, na época, o Núcleo Bandeirante era chamado de Cidade Livre.


Oscar Niemeyer em frente ao Congresso Nacional ainda em construção





A Inauguração

Ao contrário das demais cidades brasileiras, que têm datas comemorativas de fundação ligadas a povoamento historicamente demarcado, Brasília foi inaugurada com data e festividades política e administrativa estabelecidas desde fins dos anos 50 do século 20. Estabeleceu-se que seria inaugurada em 21 de abril de 1960 e ninguém contestou outra data, pois Juscelino Kubitschek em seu Plano de Metas incluiu a “Meta Síntese” configurada na construção da nova Capital. Poderiam alguns imaginar que a cidade teria outra data inaugural, como a construção do Catetinho, em outubro de 1956.


Juscelino Kubitschek, no dia da inauguração de Brasília

Passava das três horas da tarde daquele 21 de abril histórico. O ano era 1960. Dia da inauguração de Brasília. Gervásio Baptista, então repórter fotográfico da Revista Manchete, estava ali com a missão de fazer a foto que seria a capa da edição especial sobre a nova capital do país.

"Presidente, presidente!", gritou Gervásio, na subida da rampa do Palácio do Planalto, que tinha acabado de ser inaugurado por Juscelino Kubitschek e o vice, João Goulart. Assustado, JK parou, olhou para trás e perguntou o que Gervásio queria.

- Eu preciso que o senhor pose para a capa da Manchete.

- Aqui?

- É. Aqui na subida - confirmou Gervásio, pedindo que João Goulart se afastasse um pouco.

- Isso. Agora levanta a cartola, presidente.

Juscelino obedeceu. Em dois, três segundos, a Rolleiflex de Gervásio registrou aquela imagem que se tornaria uma das mais badaladas de JK. Afoito, Gervásio ordenou logo em seguida que o presidente abaixasse o braço rapidamente. Outros fotógrafos estavam ali por perto. E Gervásio não queria ninguém copiando sua idéia.




20.04.1960 - Arquivo O Globo - Inauguração da nova capital federal do Brasil a cidade de Brasília. Congresso Nacional






Cerimônia de Inauguração


Cerimônia de Inauguração pelo Presidente Kubitschek











Antigas


Em 1960 e em 2004


1960


Eixo-Monumental, reparem na Torre de TV ainda em Construção


Rodoviária em 1960


Via W3 Sul, em 1960


W3 Sul, em 1961


1964


Rodoviária em 1963


1968


1968


1970


1973


Ceilandia em 1972


1976-Cartão Postal. Rodoviária do Plano Piloto e túnel do Eixo Rodoviário, apelidado pela população de Buraco do Tatu.


1978


Cena do filme "Bye Bye Brasil", de 1979.


Vista da Torre de TV em 1971


Centro de Taguatinga em 1979


1970






Setor de Rádio Sul visto da Torre de TV, por volta de 1968-1969. À esquerda, os prédios da 302 Sul estão sendo construídos. Compare com esta foto de 1997.


em 1997


Zona Central Norte vista da Torre de TV, por volta de 1968-1969. O local do Conjunto Nacional era então apenas um buraco.


Zona Central Sul vista da Torre de TV, por volta de 1968-1969.


A Asa Sul em 1986. Compare com esta foto de 2006.


em 2006, não mudou muito.


Conjunto Nacional em 1988. Primeiro shopping center de Brasília e o segundo shopping a ser construído no Brasil, inaugurado em 1971, sendo um dos mais tradicionais da cidade. Localizado próximo a Rodoviária, na Zona Central de Brasília, é o maior centro comercial do Distrito Federal e está entre os 30 maiores do Brasil, possuindo 320 lojas e 118.100 m² construídos.


SCN(Setor Comercial Norte) em 1987. 27 anos após a inauguração da cidade, pouco havia sido feito até então.


Catedral em 1988. Entre a sua inauguração (em 1970) e 1988 a Catedral era assim, sem pintura e com vitrais incolores.


1990


Os Sem-Terra passando pelo Eixão Sul, durante a manifestação de 17/04/97


A tradicional iluminação de Natal na Esplanada dos Ministérios. Em primeiro plano, a Catedral. Ao fundo, o Congresso. Ano entre 1992 e 1994.

Eles fizeram Brasília


Missão Cruls - 1892


Israel Pinheiro


JK e Bernardo Sayão


Juscelino Kubitschek


Lúcio Costa


Niemeyer, Israel Pinheiro, Lúcio Costa e JK


Oscar Niemeyer


Os Candangos

Como Brasília poderia ter sido...

Projeto nº2 (classificado em 2º lugar)

Autores: Boruch Milman, João Henrique Rocha e Ney Fontes Gonçalves.
Previa uma cidade governamental com desenvolvimento controlado (máximo de 768.000 hab.) e satélites urbanos cujo crescimento seria de flexibilidade ilimitada. Foi suposto que em 2050 a cidade teria 673.000 habitantes.





Projeto nº17 (classificado em 3º lugar) 

Autores: Rino Levi, Roberto Cerqueira Cesar e L.R. Carvalho Franco.
Não previa satélites. A população máxima prevista era a mesma do edital do concurso (500.000 hab.).
Edifícios residenciais gigantescos, com 16.000 residentes cada com. Seis setores de 3 superblocos, com uma população total, apenas nestes 18 edifícios, de 288.000 pessoas.
Cada bloco teria centenas de metros de altura, e utilizaria 60.000 toneladas de aço! Veja um dos superblocos em maior detalhe.
Uma cidade para se andar a pé! Como a maioria da população seria concentrada num raio de pouco mais de 1 km, previa-se que o acesso dos residentes dos superblocos à maioria dos edifícios públicos seria feita a pé. "O uso da marcha a pé em maior escala que nas outras cidades traria uma multiplicação dos contatos entre a população, unindo o indivíduo à sua comunidade."







Projeto nº8 (classificado também em 3º lugar)

Autores: arquitetos M. M. M. Roberto.
Sete unidades urbanas com 72.000 pessoas cada uma, podendo se expandir para 10 ou 14 unidades. Cada unidade teria o formato de um círculo com 2.400 metros de diâmetro, e seria como "uma cidade completa".
Também aqui se andaria a pé! À semelhança do Projeto nº 17, previa-se que os habitantes se locomoveriam quase sempre a pé, pois morariam próximo ao local de trabalho. Achou-se que haveria pouca necessidade de veículos particulares ou coletivos.
A população ideal seria de 630.000 habitantes, e a máxima de 1.260.000. Os 630.000 habitantes seriam assim distribuídos: 504.000 na "área da capital", 104.000 em "distritos rurais" em 22.000 em "estabelecimentos isolados".
Além das unidades urbanas circulares, haveria um "Parque Federal"







Vídeo

Brasília em 1967: Plano Piloto e Cidades-Satélites


FONTES
http://www.geocities.com/augusto_areal/bsb_port.htm
http://zamorim.com/
http://www.arpdf.df.gov.br/
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